Palloci tentou entregar corrupção de bancos e mídia, Moro não aceitou

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Jornal GGN – Ao condenar Antonio Palocci a poucos mais de 12 anos de prisão por corrupção envolvendo a Odebrecht, o juiz Sergio Moro apontou que a proposta de delação do ex-ministro parece muito mais com uma “ameaça” do que com uma “declaração sincera de que pretendia colaborar”. Como fez com Eduardo Cunha, Moro tentou esvaziar o protagonismo das delações.


No episódio com Cunha, Moro impediu que Michel Temer recebesse as perguntas enviadas pela defesa do ex-deputado, que foram interpretadas, por grande parte da imprensa, como um roteiro de delação. À época, Moro também encarou as questões como uma “ameaça” por parte de Cunha. Com Palocci, a situação se repete, a despeito do aparente interesse do Ministério Público Federal em fazer a negociação com o ex-ministro petista avançar.

Para Moro, as declarações de Palocci, “de que seria inocente, mas que teria muito a contribuir com a Operação Lava Jato, só não o fazendo no momento pela ‘sensibilidade da informação’, soaram mais como uma ameaça para que terceiros o auxiliem indevidamente para a revogação da preventiva, do que propriamente como uma declaração sincera de que pretendia naquele momento colaborar com a Justiça.”


Palocci “é um homem poderoso e com conexões com pessoas igualmente poderosas e pode influir, solto, indevidamente contra o regular termo da ação penal e a sua devida responsabilização”, acrescentou o juiz.

Em 20 de abril, Palocci prestou depoimento a Moro e insinuou que não foram apenas as empreiteiras que tiveram interesses atendidos durante os mandatos petistas. Segundo o ex-ministro, o governo “muitas vezes salvou empresas, em situações de emergência, usando o limite da lei.” Ele indicou que, num acordo de delação, poderia entregar empresas de comunicação e figuras de peso do sistema financeiro.

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser”, disse a Moro.

Segundo informações da jornalista Mônica Bergamo, na Folha desta segunda (26), os procuradores de Curitiba, liderados por Deltan Dallagnol, estão “apreensivos com o impacto” que a delação de Palocci pode causar ao sistema financeiro e estudam uma maneira de evitar prejuízos estratosféricos aos bancos, na contramão do que fizeram com as empreiteiras.

“Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto. Isso em tese evitaria turbulências de proporções ainda maiores do que as inevitáveis”, disse Bergamo. Segundo a jornalista, a delação está “avançada”.

A mudança de postura do MPF é anunciada num cenário em que Dallagnol recebe questionamentos sobre as palestras patrocinadas pelo setor privado. Na semana passada, ele participou de evento da XP Investimento, uma corretora do mercado financeiro.

Palocci está preso em Curitiba desde setembro de 2016, quando foi alvo da 35ª fase da Lava Jato, a Operação Omertà, e assim ficará, se depender de Moro. Na sentença emitida nesta segunda, Moro sustentou que Palocci deve aguardar a fase recursal de seu processo em prisão, porque sua liberdade compromete não só a Lava Jato, mas a lisura das próximas eleições.

“Foram condenados ainda os marqueteiros do PT João Santana e Monica Moura, o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobrás Renato de Souza Duque, os ex-executivos da Sete Brasil João Carlos Ferraz e Eduardo Vaz Musa, o empresário Marcelo Bahia Odebrecht, e Hilberto Silva Mascarenhas, Fernando Migliaccio, Luiz Eduardo Soares, Marcelo Rodrigues e Olívio Rodrigues”, apontou o Estadão.

Com a sentença de Palocci – emitida em 10 dias – Moro fica livre para bater o martelo sobre o caso triplex, em que Lula é acusado de receber propina da OAS.

Falandoverdades

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