Temer está usando o BNDES para comprar apoio político para barrar denúncia contra ele, diz economista

0
22

Presidente oferece renegociação de dívidas dos estados com o banco para obter apoio político e enfrentar possível denúncia de Janot. “É inaceitável usar o BNDES para esse fim”, avalia João Sicsú

por Luciano Velleda, para a RBA

São Paulo – O presidente Michel Temer reuniu governadores de diversos estados para um jantar, na última terça-feira (13), no Palácio da Alvorada. No menu, foi servida a possibilidade de renegociação das dívidas dos estados com o BNDES.


Embora a pauta não seja nova, integrantes do próprio governo Temer reconhecem que a retomada do assunto é uma ação para angariar apoio político dos governadores e suas respectivas bancadas, num momento em que o presidente está prestes a ser denunciado por corrupção pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Coincidentemente, o jantar de Temer com os governadores ocorreu horas depois de deputados e senadores de diversos partidos lançarem a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, com apoio de economistas, entidades do setor bancário e da sociedade civil.

Para o economista João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos mentores da criação da frente parlamentar, a utilização dos bancos públicos para fins políticos é algo “inédito” e “gravíssimo”.

“É inaceitável usar o BNDES para esse fim. Ele está comprando apoio político, se aproveitando do momento de fragilidade dos estados”, afirmou o economista, destacando que não se pode criminalizar as atividades do banco público, como vem sendo feito recentemente, mas que a ação de Temer no atual contexto “é uma clara interferência política”.


“O BNDES tem que ter projeto, pode-se concordar ou não com o Luciano Coutinho (ex-presidente do banco até maio de 2016), mas havia projeto. Agora, fazer troca-troca por apoio político é inédito. Essa é a questão. Acho gravíssimo esse aspecto.”

João Sicsú pondera que uma crítica recorrente à gestão dos bancos públicos é que eles seriam conduzidos de forma “apadrinhada”, mas ele ressalta que os resultados não comprovam isso, já que os bancos públicos tem um grau baixo de inadimplência. Entretanto, o economista e professor da UFRJ destaca que essa forma “apadrinhada” é justamente o que Temer está fazendo agora.

Sicsú ainda lembrou da decisão do governo, em dezembro de 2016, de antecipar pagamentos do BNDES ao Tesouro Nacional em um total de R$ 100 bilhões em financiamentos obtidos com a União entre 2008 e 2014. Para o economista, a intervenção na época até poderia ser discutida, mas havia um objetivo fiscal, ao contrário de agora, em que o gesto de renegociar as dívidas dos estados adquire ares de barganha política por alívio ao caixa dos estados.

Falandoverdades

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here